Falta efetivo nas Polícias.

Força policial no Paraná cresceu menos que a população

Nos últimos 14 anos, o número de policiais no estado aumentou em ritmo menor do que o de habitantes; índices de criminalidade, porém, explodiram

  • Felippe Aníbal

Texto publicado na edição impressa de 11 de julho de 2015

O efetivo policial do Paraná avançou, nos últimos 14 anos, em um ritmo menor do que o crescimento da população do estado. Enquanto o quadro da Polícia Civil e da Polícia Militar aumentou 8,5%, para 24,8 mil agentes, a população paranaense avançou quase o dobro: 16%, ou em quase 1,5 milhão de pessoas. Isso significa que o estado tem, proporcionalmente, menos policiais nas ruas, seja para prevenir ou para investigar crimes. Paralelamente, o Paraná viu as estatísticas de criminalidade explodirem, aumentando a sensação de que a violência está mais próxima.

Gráfico mostra a evolução do número de policiais no estado e da criminalidade

Em período semelhante, de 2001 a 2013, dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) apontam que o índice de homicídios bateu a casa dos 2.572 casos no Paraná (aumento de 32,5%). O número de roubos dobrou (fazendo 67,3 mil vítimas) e o de roubo de veículos avançou 146% (7,6 mil carros levados por criminosos).

Por si só, o déficit de efetivo não explica a evolução das estatísticas, mas ajuda a entender a dinâmica complexa da segurança pública. A Gazeta do Povo ouviu cinco delegados de diferentes regiões do Paraná e três policiais militares. Todos relatam que, diariamente, precisam fazer uma escolha difícil: que casos vão atender.

“A gente não consegue estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Então escolhemos que ocorrência vamos atender. É ruim falar isso, mas está tudo largado”, disse um sargento, lotado em uma cidade da região Noroeste. Lá, uma equipe por dia se reveza no policiamento de dois municípios vizinhos. “Se saio para atender, o posto [policial] fica fechado. É que o pessoal já sabe, senão daria com a cara na porta se fosse procurar atendimento no local”, completou.

Polícia Civil

A situação parece ser ainda pior na Polícia Civil. O Paraná é o estado que tem menos delegados em relação à própria população. Nos últimos cinco anos, 155 deles se aposentaram ou foram exonerados e apenas 63 foram contratados. Pelo menos 285 delegacias estão sem delegado titular. Além disso, 16 comarcas paranaenses não têm um delegado sequer.

Os reflexos são sentidos de forma mais incisiva no interior do estado. Lá, delegados acumulam distritos em cidades diferentes e vivem uma rotina em que os atendimentos chegam a ser feitos por telefone. A sensação é de que vivem em plantões permanentes. “Se a PM faz uma prisão na outra cidade, não dá tempo de eu ir até lá para lavrar o flagrante. Eu passo as orientações por telefone, depois vou lá só para assinar”, disse um delegado.

“Eu atendo quatro cidades de duas comarcas diferentes e ainda entro na escala de plantão na subdivisão [sede policial que congrega comarcas de uma microrregião]. Meu telefone não para. A sensação que eu tenho é de estar em um sobreaviso permanente, sem receber um centavo a mais por isso. Minha escala é de 24 horas, sete dias por semana”, apontou outro delegado.

Na capital, há tendência de queda nos homicídios

Apesar da alta das estatísticas criminais em relação a 2001 no estado, o índice de homicídios em Curitiba vem em tendência de queda. Matéria do repórter Diego Ribeiro, publicada pela Gazeta do Povo no início de julho, mostrou que o número de assassinatos recuou na capital nos últimos seis meses, mês a mês, em comparação com 2014. No primeiro semestre, a cidade registrou 219 homicídios, 28,2% menos em relação ao primeiro semestre de 2014.

Ainda assim, o índice de homicídios em Curitiba no ano passado foi de 30,5 para cada 100 mil habitantes – mais que duas vezes acima do tolerável pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

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12 Responses to "Falta efetivo nas Polícias."

  1. VERDADES INCOMODAM disse:

    Resumindo; o estado(governo) de um lado com seus “trolhas” e cabos eleitorais do outro o povo, a população encurralada pela violência,desemprego, falta de perspectivas,assistência a saúde, educação,insegurança total e descredito até em deus!

    QUEM DEVEM ESTAREM MUITO FELIZES DA VIDA , QUEM VOTOU NESSA CAMBADA, NESTAS CORJAS,, NESTES BANDOS DE CRIMINOSOS (POLÍTICOS)DE FACÇÃO CRIMINOSA COM DENOMINAÇÃO DE PARTIDOS POLÍTICOS!

    “OLHAMOS PARA FRENTE VÊ-SE POR TODOS LADOS SOMENTE CORRUPTOS E LADRÕES,OLHANDO PRA TRÁS NOS DEPARAMOS COM DOIS LADRÕES CRUXIFICADO AO NOSSO LADO”

    O BRASIL, NÓS PRECISAMOS DE MAIS UNS 50(CINQUENTA) JUIZES COMO; SÉRGIO MORO!!

  2. GG disse:

    A reportagem foi generosa ao informar que a soma de policiais civis e militares dá 24,8 mil. Só esqueceu de informar que destes, mais de 4 mil são bombeiros, 275 são da segurança pessoal do Governador do Estado, além de outros emprestados a outros órgãos como GAECO, etc., etc., etc….
    Em suma a PM se vira com pouco mais de 16 mil, sendo que, aproximadamente 20% desse montante, em atividades administrativas. Pois a bela gestão administrativa que possui a PM coloca policiais treinados para atendimento e atuação na rua para trabalharem na área administrativa que poderia ser atendida por civis contratados ou concursados pelo Estado para essa função a um custo bem menor e com a mesma eficiência, como existente em outras corporações policiais militares pelo Brasil.
    Mais aí, a quem os Semi Deuses da PM iram humilhar no dia a dia?
    Se fizerem com os civis o que fazem com os militares, irão responder um processo atras do outro por assédio moral, sexual, etc.
    Isso ocorre na PMPR por conta de uma palavra que é vista como uma heresia pela cúpula da corporação: MUDANÇA. Essa palavra causa aflições gigantescas há cúpula da corporação cada vez que é pronunciada por algum político ou autoridade que pode propor ou fazê-la.

  3. pra quê disse:

    Falta mesmo é administração bem feita,
    na Banda deve ter uns 50, isso é mais que a 5CIA do 12BPM.
    No QG tem mais que no 12BPM.
    Cada CIA tem pelo menos 1 motorista pra ficar a disposição do comandante, 1 sargenteante e seu auxiliar.
    O pessoal que trabalha na rua não tem meios de trabalhar.
    Que tal criar mais batalhões e com isso mais estruturas ADM.

  4. Silva disse:

    Tem 24,8 mil no papel, pois na realidade a coisa tá pior do que se imagina, enquanto isso a classe política deita e rola, cargos comissionados de monte, aumento do número de vereadores, aumento de salários dessa gentalha, aumento de verbas para essa gentalha, o povo paga a conta e fazer o que?
    O cenário é de viaturas velhas e quebradas, o policial no interior trabalha 24 por te pego daqui a pouco, tem cidade que só tem 1 PM outras tem 3 para se revezarem.
    Só Deus por nós, pois estamos abandonados pelo poder político do Estado.

  5. Arthur disse:

    Não falta só efetivo, falta também uma gestão eficiente.

  6. fabio disse:

    Infelizmente estamos totalmente desfazados no quesito segurança, saúde e educação. É incrível como o governo suga todos nosso recurso e não nós da nada em troca.

  7. Precisamos melhorar nossa segurança, e manter bandido na cadeia!

  8. PRF disse:

    Lugar de bandido é na cadeia!! O Estado deveria investir mais em segurança.

  9. Fernanda disse:

    A verdade é que a segurança hoje em dia está péssima

  10. Enquanto isso a criminalidade só aumenta!

  11. Ricardo B. disse:

    O problema com a segurança não é de hoje, mas sim de um longo tempo.
    Não apenas no Paraná, mas todos os estados estão sofrendo com essa péssima administração do governo. O que nos resta agora é a esperança de um governo melhor para nós e para os policiais.

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