Fake news é ameaça maior do que ataque às urnas.

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“Fake news é ameaça maior do que ataque às urnas, diz especialista em cibersegurança
Potencial danoso de notícias falsas encaminhadas em grupos de Whatsapp ou compartilhadas pelo Facebook ou Twitter é bem maior do que um eventual ciberataque em urnas eletrônicas”

“Aquela notícia falsa que seu parente encaminha nos grupos de WhatsApp ou compartilha via Facebook ou Twitter tem um potencial danoso muito maior que um eventual ciberataque em urnas eletrônicas. A avaliação é de Robert McNutt, vice-presidente de tecnologias emergentes da ForeScout, empresa especializada em segurança cibernética. Ele participou, nesta terça (16), de um painel sobre como proteger eleições de ataques internos e externos.

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Para McNutt, é muito mais complexo coordenar um ataque a urnas eletrônicas do que espalhar informação errada que influencie uma eleição.

Você pode afetar mais pessoas pela desinformação, porque você pode espalhar a notícia errada a partir de um computador que está do outro lado do mundo. Nas urnas eletrônicas, você tem de ter acesso e fazer as mudanças. Envolve pesquisa, envolve acesso físico.

A logística de adulterar ou hackear uma urna em larga escala para afetar as eleições “é desafiadora, embora não seja impossível”, reconhece.  Exigiria, por exemplo, a inclusão de algum tipo de comando fraudulento no sistema de forma a computar mais votos a um candidato quando o outro recebesse um voto. Ainda assim, “conforme você acrescenta mais máquinas, não conecta a redes e espalha por vários lugares, fica mais difícil coordenar ataques”, diz.

Os efeitos nocivos da desinformação
Por outro lado, a desinformação consegue ter um efeito mais nocivo, afirma. McNutt cita como exemplo as eleições presidenciais americanas de 2016, investigadas sob suspeita de interferência russa.

De posse de dados de eleitores, que podem ser obtidos facilmente na dark web – parte da internet que exige softwares especiais para ser acessada-, os agentes interessados em intervir no resultado cruzam as informações com os gostos que esses eleitores manifestam em redes sociais como Facebook e Twitter.

A partir daí, basta direcionar as informações desejadas para seu público-alvo. “Aí eu tenho agora todos os eleitores registrados, sei se você é republicano ou democrata. Se eu sou o cara ruim e quero que os republicanos ganhem, eu espalho informações para os democratas dizendo que o candidato democrata vai ganhar”, diz.
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“E para o lado republicano, você diz que é preciso chegar lá, é espalhar informações para que eles vão votar. Foi isso que aconteceu em 2016.”  Muitos eleitores que votariam na democrata Hillary Clinton e que receberam informações de que ela estava à frente do republicano Donald Trump deixaram de votar, considerando que a vitória era certa com base nas notícias que liam nas redes sociais, afirma.

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E do lado de Trump, muitos foram votar motivados tentar fazer a mudança que desejavam. “Você mudou o equilíbrio, tendo estados como alvo . Você não precisa ganhar no voto popular, tem de ganhar nos colégios eleitorais. Então você ganha um estado, que pode te dar votos suficientes para ganhar as eleições.”

No cômputo final, Trump conquistou 304 colégios eleitorais, contra 227 de Clinton. No voto popular, perdeu: recebeu 62.985.106 votos, enquanto a democrata teve 65.853.625.

Outro efeito adverso da disseminação de informação errada, diz, é a polarização dos eleitores. “É outra ameaça à democracia. Mais do que influenciar as eleições, é mais fácil criar divisões. Você polariza a esquerda e a direita. Costumava haver um meio moderado, mas agora você tem todos de um lado ou do outro. Então você tem uma extrema direita energizada, e uma extrema esquerda energizada. E o meio está desaparecendo”, diz.

Polarização em alta
A polarização se reflete numa maior mobilização popular em torno de bandeiras de cada um dos lados. No caso americano, McNutt exemplifica com a recente nomeação do juiz Brett Kavanaugh à Suprema Corte, acusado por três mulheres de abuso ou má conduta sexual.

O episódio gerou reações inflamadas tanto de quem defendia a indicação quanto de quem queria que Trump desistisse da nomeação. “As pessoas estão mais ligadas na política, nunca vi tanta gente interessada numa nomeação para a Suprema Corte. As pessoas levam pro lado pessoal, por causa dessa polarização”, afirma.

Para ele, isso mina a ideia de democracia, onde toda a população de um país é representada. Agora, um lado ganha e o outro perde, em contraposição que gera mais violência, “em vez de uma mentalidade de se isso vai ser bom para o país.”

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“As pessoas estão pensando irracionalmente, ou pensam na sua gangue ou na adversária, é como uma batalha. Vão terminar com uma ideia de guerra civil.”

McNutt vê pouco interesse de gigantes como Facebook, Twitter e outras mídias sociais de resolver o problema. “O Facebook acha que consertar a estrutura que permite a disseminação de informação falsa é ruim. Eu tenho certeza de que eles controlam tudo o que você coloca no Facebook. É do interesse deles manter esse controle ou eliminar o problema? Tudo se resume a dinheiro e poder. Se você quer um, tem que manter o outro”, diz.

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