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Diálogo de um Pai PM no Centro Cívico.

CARTA DE UM PAI DE FAMÍLIA, SOLDADO DA PMPR, TENTANDO EXPLICAR O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM A CLASSE ACAMPADA NA PRAÇA NOSSA SENHORA DE SALETE – CURITIBA PR.






Embora suprimidos os personagens deste relato, os personagens existem e estão multiplicados nos lares dos soldados, cabos, sargentos e subtenentes da Polícia Militar do Paraná. Então vamos lá!

Um soldado da PMPR, passando em frente ao Palácio Iguaçu, Praça Nossa Senhora de Salete, da Alep, MP, Tribunal de Justiça, enfim, dos poderes constituídos da nossa República, juntamente com seus três filhos menores, estava procurando explicar como funcionavam os poderes e suas funções junto a sociedade.

A família prestando atenção na explicação não deixou de observar as cruzes que estavam cravadas no gramado da Praça Nossa Senhora de Salete, bem como de uma tenda com pessoas no seu interior. Não demorou muito para o soldado ser indagado por seus filhos daquelas cruzes no gramado, como se fosse um cemitério. O Pai foi pego de surpresa, mas começou a explicar o que estava acontecendo no local para seus filhos e esposa. Aquelas cruzes no gramado simbolizam os militares estaduais que deram suas vidas protegendo e servindo a sociedade paranaense, que agora descansam no paraíso com o nosso Senhor Jesus Cristo Salvador. Algumas lágrimas dos filhos foram inevitáveis, mas o Pai procurou contornar a situação, confortando os corações dos filhos dizendo que morreram como heróis. Não demorou, seguiram as perguntas dos filhos, principalmente se as pessoas que estavam no local não tinham casas, famílias, filhos, etc. Novamente o Pai, sem perder o controle do delicado cenário, explicou que estavam ali justamente para proteger suas famílias, dormindo em barracas, no chão, viajando de longas distâncias para manter um mínimo de conforto para seus entes queridos. A situação começou a ficar complicada para o Pai, pois se estavam ali e muitos morreram como heróis, porque se encontravam abandonados pelo Estado, sem receber seus direitos, e por aí vai...

A mãe que estava somente observando a explicação do Pai para seus filhos do que estava acontecendo, decidiu também entrar na conversa, passando a expor de forma mais aberta e clara o que estava acontecendo com os soldados da PM. Solicitou atenção dos filhos, de maneira objetiva, sem contornos fantasiosos, disse que aquelas cruzes representam famílias que ficaram sem seus pais ou mães, e caminham sozinhos agora, não recebendo sequer um agradecimento do Estado, funcionando como meros números matemáticos, de fácil substituição, enquanto alguns lares sangram diariamente pela perda de seu herói. Continuou explicando para os filhos que devido a falta de respeito e consideração com os soldados que estão protegendo a sociedade, infelizmente muitos estão se acabando de trabalhar no seu horário de folga, girando dias sem dormir, para buscar complementar suas rendas, para pagar as mensalidades da escola, o plano de saúde, enfim, necessidades básicas fundamentais. O fato de arriscarem suas vidas para o Estado, não significa absolutamente nada, somente discursos emotivos, ensaiados e politiqueiros. Vocês sabem porque muitas vezes não podemos passear ou viajar, não é somente pela falta de dinheiro, mas devido seu pai ter que trabalhar na sua folga para prover nosso sustento, resultando em uma família sem qualidade de vida e alegria. A mãe começou a desabafar com a fatídica realidade das Praças da PM (sem carreira, sem reajuste, sem assistência de saúde, sem alimentação, enfim). E continuou, continuou e continuou...

O Pai percebeu que o passeio da família acabou sendo frustrado pela situação de abandono e descaso, lembrando dos militares mortos em combate, da luta diária para manter seu lar nas bençãos do Senhor, de como seus filhos precisam saber da realidade sem machucar seus corações.

Ao final, ambos, Pai e Mãe, chamaram seus filhos e disseram que não precisariam se preocupar, lembrando que todos tem um Deus provedor, que não deixará seus filhos no esquecimento, trazendo acolhimento e segurança para seus filhos.


RELATO DE UM SOLDADO ANÔNIMO DA PMPR.

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